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Zoneamento na permacultura

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Zoneamento é a estratégia da permacultura para organizar o espaço de forma lógica e economizar energia — humana e natural. O princípio é simples: o que exige visita frequente fica perto da casa; o que demanda pouca manutenção fica longe.

O objetivo é integrar necessidade ecológica, econômica e social, de modo que o sistema se autorregule a longo prazo com interferência mínima. É visão sistêmica em que os ciclos se retroalimentam.

Zona 0 — a casa

O centro do planejamento e o ponto de partida. Existe para economizar o esforço humano de alcançar as outras zonas, e concentra as necessidades de água e o aproveitamento de recursos naturais, como a luz solar.

Na prática, inclui construção sustentável — bioconstrução, hiperadobe —, biodigestor e biopiscina.

A zona 0 é designação informal: ela não aparece nos livros originais de Bill Mollison.

Zona 1 — uso diário

A área externa mais próxima da casa, para o que se visita várias vezes ao dia: horta de uso diário (alface, rúcula, morango, cebolinha), composteira doméstica, estufa, aquaponia e abrigo de pequenos animais, como galinheiro móvel.

Zona 2 — perenes e pomar

Manutenção e visitas menos frequentes, do tipo poda ou controle de mato: pomar consorciado com leguminosa e adubação verde, frutífera, abóbora, mandioca, composteira grande e pastagem rotacionada para animal de médio porte.

Zona 3 — cultivo principal

Cultura de maior escala e produção comercial. Depois de estabelecida, exige o mínimo — visita semanal. Palmito pupunha, coco, feijão em larga escala, com cobertura morta de palha e resto vegetal para proteger o solo e manter a umidade.

Zona 4 — semisselvagem

Bosque destinado a fornecer recurso e a cultivo florestal: café de sombra, árvore para madeira nobre, forragem, lenha e coleta de alimento silvestre, como cogumelo.

Zona 5 — selvagem

Espaço sem nenhuma intervenção humana, destinado só à observação dos ciclos da natureza. É o que preserva a biodiversidade — fungo, bactéria, inseto — que beneficia todas as outras zonas.

Não tendo reserva própria, as áreas de preservação da vizinhança podem cumprir esse papel, inclusive como fonte de microrganismos eficientes.


Vale reparar que o princípio do zoneamento é o mesmo da terceira das sete regras de organização — a proximidade segue a prioridade. Uma bancada de oficina e uma chácara de dois hectares obedecem à mesma lógica: o que se usa todo dia fica ao alcance da mão, e o resto se afasta na medida em que se usa menos.


Fontes: